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drops ISSN 2175-6716

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O Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obra de arquitetura em São Paulo” foi concedido ao Instituto Moreira Salles (nova sede na Avenida Paulista), de autoria dos arquitetos Vinicius Andrade e Marcelo Morettin.

como citar

ANELLI, Renato. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obra de arquitetura em São Paulo”. Instituto Moreira Salles (nova sede na Avenida Paulista), Vinicius Andrade e Marcelo Morettin. Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.04, Vitruvius, fev. 2018 <http://1www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6881>.



Verticalidade, transparência e urbanidade

A sede do Instituto Moreira Sales – IMS (1) na Avenida Paulista inova no modo como trata a tipologia vertical de arquitetura para equipamentos culturais, definindo novos parâmetros de distribuição do programa e dos fluxos de circulação do público visitante para conferir urbanidade ao museu. Instituição que tem como objeto a imagem, o IMS escolheu um terreno padrão, situado entre os altos edifícios de uso corporativo e de serviços que caracterizam essa avenida, para receber seu museu em São Paulo. O projeto foi escolhido através de concurso fechado entre as propostas dos seis escritórios convidados (2).

A exiguidade do lote resulta em um volume edificado decorrente da aplicação dos afastamentos e coeficientes legais. Sua planta retangular é organizada em duas bandas. A menor, ocupa um quarto da área de planta e situa-se na face lateral noroeste, sendo inteiramente dedicada aos serviços e circulação vertical, criando uma torre longilínea dentro volume maior, translúcido. A segunda banda é formada por três quartos da planta, sem interferências estruturais, tendo usos e formas diferentes em cada pavimento.

A decisão mais importante tomada pelos autores foi a de elevar quinze metros acima do solo a recepção do complexo, dispondo na banda maior desse pavimento as bilheterias, a livraria, café, áreas de encontro e estar. No térreo, essa banda da planta é uma extensão da calçada da avenida, levando à escada rolante, que mecaniza e facilita o acesso ao plano elevado. Denominado Praça IMS, o plano corta horizontalmente o edifício, em dois grandes volumes que agrupam os usos do programa. A partir desse nível o público pode subir para as salas de exposições ou descer para a midiateca, composta por auditório, salas de aulas e biblioteca.

Outro aspecto de destaque no projeto é a relação entre sua vedação externa, realizada com vidro translúcido, e os volumes internos da midiateca, salas de exposições e serviços. O vidro não desnuda completamente o seu interior, como ocorre no Masp. Conforme as variações da iluminação interna e externa, o interior se mostra veladamente nas faces translúcidas, evoluindo de uma discreta percepção da volumetria interna durante o dia, para uma intensa presença da suas cores durante a noite. Aqui se trata da própria poética dos arquitetos, iniciada com uma pequena casa em Carapicuíba, onde placas de policarbonato alveolar produzem uma transparência entre a habitação e o bosque ao seu redor. Anos mais tarde os arquitetos exploraram novas materialidades para as superfícies envoltórias aos seus projetos, tais como a tela mosquiteira na casa em Ubatuba, e os vidros serigrafados em uma casa em São Paulo (3).

Apesar de ser de vidro, a tênue transparência da fachada delimita claramente o volume externo, mostrando-a como faces íntegras de um volume levemente elevado do solo. Por isso a única abertura assume enorme relevância: um rasgo na fachada abre a praça/terraço para o espaço urbano externo, permitindo que se torne local de desfrute da cidade. Para acentuar a continuidade com o espaço público da cidade, o piso desse plano elevado foi feito em mosaico português, com desenho que remete à antiga calçada da avenida, removida há alguns anos devido a obras de renovação e adequação a novos padrões de acessibilidade universal.

O uso de escadas rolantes em equipamentos culturais não é novidade, mas aqui segue uma disposição espacial presente em diversos projetos recentes, desde o pioneiro ZKM (Centro de Arte e Tecnologia de Media, 1989-92) de Rem Koolhass em  Karlsruhe, até a Filarmônica do Elba (2003-2016), de Herzog & De Meuron em Hamburg, onde sua longa escada rolante curva conduz ao plano elevado e aberto para dar vistas ao rio e ao porto. No IMS, essa ação projetual criou um terraço aberto para a avenida, coincidindo com a consolidação da Paulista como um espaço público intensamente usado para atividades de lazer e cultura aos domingos, quando o tráfego de veículos é suspenso e a via aberta aos pedestres e ciclistas. A imediata sinergia entre a praça elevada e as atividades na avenida ampliou reconhecimento público da importância do edifício, que passou a não se limitar ao seu uso específico como museu para se tornar um lugar na cidade.

O projeto aponta novas direções para projetos de equipamentos culturais em situações metropolitanas. Explora a verticalidade necessária para conferir maior densidade de ocupação, diretriz definida pelo Plano Diretor Estratégico de São Paulo para reverter o esvaziamento demográfico das áreas centrais. Apesar da exiguidade do espaço disponível, a arquitetura é bem sucedida ao abrir o edifício para o espaço urbano, conferindo a necessária dimensão pública ao museu criado, construído e gerido por uma instituição privada.

notas

NE – Desde 2010, a APCA incorporou os críticos de arquitetura, concedendo anualmente sete prêmios. Em 2017, os críticos Abilio Guerra, Fernando Serapião, Francesco Perrotta-Bosch, Gabriel Kogan, Guilherme Wisnik, Hugo Segawa, Luiz Recaman, Maria Isabel Villac, Nadia Somekh, Renato Anelli foram os responsáveis pela seleção dos premiados. Os artigos dedicados à premiação da modalidade Arquitetura e Urbanismo da APCA 2017 são os seguintes:

SOMEKH, Nadia. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Resistência urbana”. Bexiga, Vai-Vai; Festa de Nossa Senhora Achiropita; Teatro Oficina; União de Mulheres de São Paulo; Casa de Dona Yayá – Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo (CPC USP). Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.01, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6868>.

WISNIK, Guilherme. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obras referenciais”. Alberto Xavier. Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.02, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6869>.

ANELLI, Renato. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obra de arquitetura em São Paulo”. Instituto Moreira Salles (nova sede na Avenida Paulista), Vinicius Andrade e Marcelo Morettin. Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.04, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6881>.

SEGAWA, Hugo. Prêmio APCA 2017 – Categoria “Obra de arquitetura no Brasil”. Moradias de estudantes na Fazenda Canuanã, Rosenbaum (Marcelo Rosenbaum e Adriana Benguela), Aleph Zero (Gustavo Utrabo e Pedro Duschenes), Ita Construtora (Helio Olga). Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.05, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6882>.

PERROTTA-BOSCH, Francesco. Categoria “Urbanidade”. Sesc 24 de Maio, Paulo Mendes da Rocha; MMBB (Marta Moreira, Milton Braga e Fernando de Mello Franco); Danilo Santos de Miranda. Drops, São Paulo, ano 18, n. 125.06, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/18.125/6884>.

GUERRA, Abilio. Categoria “Fronteiras da arquitetura”. Guto Lacaz. Resenhas Online, São Paulo, ano 18, n. 195.01, Vitruvius, mar. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/18.195/6893>.

SERAPIÃO, Fernando. Difusão Cultural: Vicente Wissenbach [no prelo].

1

Sobre a nova sede do IMS-SP, ver no portal Vitruvius: PORTAL VITRUVIUS. Projeto para um Museu na Avenida Paulista. O novo Instituto Moreira Salles de São Paulo. Projetos, São Paulo, ano 18, n. 206.01, Vitruvius, fev. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/18.206/6880>; MOREIRA, Pedro da Luz. O novo edifício do Instituto Moreira Sales na Avenida Paulista. Projetos, São Paulo, ano 17, n. 202.02, Vitruvius, out. 2017 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/17.202/6740>.

2
Sobre o concurso de projetos para a nova sede do Instituto Moreira Salles em São Paulo, ver o número especial da revista Monolito (n. 8, 2012).

3
Sobre a questão da transparência e translucidez na obra da dupla Vinicius Andrade e Marcelo Morettin, ver: ANELLI, Renato. Tênue transparência. São Paulo. Monolito, n. 2, São Paulo, 2011, p. 32-43.

sobre o autor

Renato Luiz Sobral Anelli, arquiteto e professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos, diretor do Instituto Bardi.

Sede do Instituto Moreira Salles, São Paulo. Arquitetos Vinicius Andrade e Marcelo Morettin
Foto Nelson Kon

Sede do Instituto Moreira Salles, São Paulo. Arquitetos Vinicius Andrade e Marcelo Morettin
Foto Nelson Kon

Sede do Instituto Moreira Salles, São Paulo. Arquitetos Vinicius Andrade e Marcelo Morettin
Foto Nelson Kon

Sede do Instituto Moreira Salles, São Paulo. Arquitetos Vinicius Andrade e Marcelo Morettin
Foto Nelson Kon

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Foto Nelson Kon

 

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